Introdução à Chapada das Mesas: o paraíso das águas escondido no sul do Maranhão

Quando se fala nas grandes chapadas brasileiras, nomes como Diamantina e dos Veadeiros vêm logo à cabeça. A Chapada das Mesas, no Maranhão, costuma ficar de fora dessa lista — e essa é justamente a sua melhor qualidade. Ainda pouco explorada pelo turismo de massa, ela guarda um dos cenários mais surpreendentes do país: paredões de arenito esculpidos pelo tempo, cachoeiras de tons azulados quase irreais e uma hospitalidade tipicamente maranhense que faz a viagem valer cada quilômetro rodado.

Este é o primeiro de uma série de cinco artigos pensados para você planejar a viagem do começo ao fim. Aqui vamos entender o que é a Chapada das Mesas, onde ela fica e por que esse destino merece um lugar no seu roteiro. Nos próximos textos, vamos detalhar quando ir, como chegar, onde ficar e o que fazer.

O que é a Chapada das Mesas

O nome entrega boa parte da história. A região é marcada por montanhas de topo plano — platôs que, vistos de longe, lembram enormes mesas distribuídas pela paisagem. Essas formações de arenito têm mais de 60 milhões de anos e foram moldadas lentamente pela erosão da água e do vento, criando portais, paredões e cânions de tirar o fôlego.

No coração da região está o Parque Nacional da Chapada das Mesas, uma unidade de conservação criada em 2005 para proteger mais de 160 mil hectares de Cerrado. O parque abrange três municípios: Carolina (a principal cidade-base para os visitantes), Riachão e Estreito.

Um detalhe que torna a Chapada ainda mais especial é a sua posição geográfica. A região fica num ponto de encontro de três grandes biomas brasileiros — Cerrado, Caatinga e Amazônia. Esse cruzamento resulta numa biodiversidade riquíssima de fauna e flora, com elementos compartilhados entre os três ambientes.

Onde fica

A Chapada das Mesas está localizada no centro-sul do Maranhão, na divisa com o estado do Tocantins. É uma região bastante isolada: fica a cerca de 840 km da capital São Luís e a quase 500 km de Palmas.

A cidade de Carolina, fundada em 1855 e batizada em homenagem à imperatriz Carolina Amélia de Leuchtenberg, é a porta de entrada para quem quer conhecer o destino. Com cerca de 25 mil habitantes, ela fica às margens do Rio Tocantins e mantém um clima tranquilo e acolhedor, com ruas de paralelepípedo e casarões coloniais que revelam sua história. Boa parte das principais atrações está nos arredores de Carolina; apenas as famosas piscinas de águas azuis ficam mais próximas de Riachão.

Por que vale a pena

A Chapada das Mesas é, antes de tudo, um destino de ecoturismo e aventura. É o tipo de lugar para quem gosta de trilhar, mergulhar em águas cristalinas, contemplar paisagens grandiosas e desacelerar longe das multidões. Entre os grandes atrativos da região estão:

  • As águas azuis — o Poço Azul e o Encanto Azul, em Riachão, têm uma coloração azulada quase surreal, principalmente na estação seca, quando a água fica mais transparente.
  • As cachoeiras imponentes — a Cachoeira de São Romão é a mais volumosa do estado, e a Cachoeira da Prata impressiona pelo cenário. Ambas ficam dentro do Parque Nacional.
  • As formações rochosas — o Portal da Chapada (também chamado de Pedra Furada) é o cartão-postal da região e um dos melhores lugares para ver o pôr do sol.
  • Os complexos turísticos estruturados — a Pedra Caída reúne várias cachoeiras, cânions e atividades de aventura como tirolesa, teleférico e rapel em uma área organizada.

É bom ajustar as expectativas: a Chapada das Mesas é um destino rústico. Não espere hospedagens de luxo nem grande infraestrutura — o verdadeiro luxo aqui está na simplicidade da região e na grandiosidade da natureza. Vá de mente aberta e você será recompensado com uma das experiências mais autênticas do turismo brasileiro.

O que esperar da viagem

A maioria dos viajantes recomenda reservar de quatro a seis dias para conhecer os principais atrativos sem correria. Em quatro dias dá para fazer um roteiro básico com as atrações essenciais ao redor de Carolina e Riachão. Com cinco ou seis dias, você consegue fazer tudo com mais calma e ainda incluir trilhas e pontos menos visitados.

As distâncias entre os atrativos são consideráveis, e algumas estradas são de chão, o que torna comum a contratação de guias locais ou o aluguel de um carro — de preferência um modelo mais alto, tipo SUV, para os trechos mais difíceis. Por isso, muita gente prefere deixar a logística por conta de quem conhece a região: agências especializadas no Maranhão, como a Jericar Viagens, montam o roteiro completo, cuidam dos transfers e dos passeios e deixam o viajante livre para só curtir a paisagem — uma mão na roda num destino com tantos deslocamentos.

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